2k37 Editorial | Carta #4: a quem interessar possa.
Tempo aproximado de leitura: 12-15 minutos.
💡 A balada da crise: quando o palco escurece, e a música cessa.
Eis que, com a chegada de 2023, nos deparamos com uma realidade difícil de engolir. A vida noturna, antes um caleidoscópio vibrante de sons, luzes e pessoas, agora enfrenta a sombra da ameaça mais profunda já vista.
O custo de vida dispara, e com ele, sobe a escala dos problemas enfrentados pela dance music e pelo mercado de música ao vivo. É o que os estudos da International Music Summit apontam, e esses dados são assustadores.
💡 A crise do custo de vida é uma música dissonante no coração dos Djs e produtores.
Um estudo de 2022 da Association for Electronic Music (AFEM) destacou a magnitude do problema: cerca de 70% dos profissionais da indústria da música eletrônica estavam considerando deixar a indústria, com muitos enfrentando problemas de saúde mental. Os artistas - Djs e produtores - estão sendo pressionados de todos os lados.
Estamos falando sobre a erosão do solo sagrado da criatividade e cultura, sobre a ruptura do tecido de um ecossistema único e vibrante.
Este é um ensaio da crise pós-pandêmica que nosso mundo cultural está enfrentando. A questão é: estamos ouvindo essa melodia distópica?
A crise se estende além das fronteiras da Europa, tornando-se um refrão global de desafios. Artistas de países menos desenvolvidos, onde o apoio à arte e cultura é precário, enfrentam camadas ainda mais profundas dos efeitos da derrocada do mercado de entretenimento noturno.
💡 A música do caos é ouvida além das fronteiras da Europa.
O Brasil, por exemplo, já estava no fio da navalha antes mesmo do início da pandemia, com cortes sucessivos no orçamento destinado à cultura. Com a pandemia, a situação piorou. No primeiro ano da crise sanitária, segundo dados da FGV, mais de 1 milhão de profissionais de cultura perderam seus empregos. E a situação só piorou.
Como apontou a DJ Ana Helder, produtora argentina de renome internacional, em uma entrevista recente à DJ Mag: "É como dançar na borda do vulcão. Você nunca sabe quando vai explodir."
E essa resistência se dá em todos os níveis. De Djs independentes fazendo transmissões ao vivo nas redes sociais para manter a música viva, até grandes nomes da indústria se unindo para campanhas de financiamento coletivo.
Mas, resistir não é suficiente. Precisamos discutir soluções. Mais do que isso, precisamos implementá-las.
💡 "É como dançar na borda do vulcão. Você nunca sabe quando vai explodir." - Ana Helder
O caminho é longo e complexo. Envolve não apenas políticas governamentais de suporte à cultura, mas também mudanças na forma como a indústria da música funciona.
É preciso pensar em alternativas viáveis, formas de financiamento, capacitação, inovação. É preciso pensar em uma nova estrutura para o mercado musical, uma que seja sustentável e inclusiva.
💡 O mundo mudou. A indústria da música precisa mudar também.
Esta é uma crise que afeta não apenas os Djs, produtores, técnicos, promotores, clubes e festivais, mas todos nós. Porque a música é um elemento fundamental da cultura humana. É uma linguagem universal, um instrumento de expressão, um canal de comunicação.
Quando a música para, todos nós perdemos.
Então, que não nos esqueçamos de ouvir a melodia que está sendo tocada agora. Que não ignoremos a música da crise. E que, acima de tudo, não deixemos de buscar as notas que trarão harmonia de volta ao nosso mundo.
Hoje ficamos por aqui, te vejo na próxima carta :)
Lucas M. Prado / June, 26th, ‘23 - 08:31am”
Lucas M. Prado
P.S.: É disso que estamos falando quando dizemos que a crise é real e profunda. Mas não podemos deixar de lado a esperança. É possível encontrar uma nova melodia para o mundo da música. E eu tenho a firme convicção de que, no final, a música não vai parar.
Façamos com que cada nota, cada batida, seja um passo na direção de um futuro melhor. Convido você a se juntar a mim nesta jornada. Vamos continuar a discussão. Comente, compartilhe, faça sua voz ser ouvida.

