2k37 Editorial | Carta #1: a quem interessar possa.
Tempo aproximado de leitura: 8-9 minutos.
“Se dar bem na vida”. Isso é tão absurdamente proporcional com a realidade que já começo apontando: essa carta é uma provocação aberta.
Leia se quiser. Quero que você queira. E como sempre, ao final, um presente digital em retribuição ao seu tempo investido nessa leitura, vamos nessa.
A definição mais apropriada, madura e realista da expressão “se dar bem na vida”, se revela neste contexto como se perceber agora como a melhor versão de si. Sim, é tão piegas que soa ríspido.
Rispidez: qualidade de ríspido. Rigor. Severidade.
Tim Bernardes sabiamente escreveu: nada é justo ou injusto se não há justiça de fato; tanto faz.
Tanto fez que voltamos ao problema inicial e a solução fatídica da coisa toda.
E uma coisa que pode realmente te ajudar ajudar a atingir esse feeling status “bem de vida” é tirar um momento para ficar “P” da vida com a sua situação atual.
A raiva é humana. Tyler, The Creator canetou: de tanto fugir me vejo perseguindo-a. Já se sentiu assim?
E eu sei que pode parecer contraditório, mas confie em mim, depois de tanto apanhar repetidamente por suprimir emoções, o simples fato de você se permitir à insatisfação e canalizar essa raiva como uma ferramenta em qualquer camada de relações sociais, pode indicar um gatilho perfeito para um novo movimento certeiro.
Duvido muito se você já não se sentiu exatamente assim alguma vez na vida.
Tenho certeza que sim.
Esses dias assisti um vídeo sobre o “spotlight effect”, essa expressão nunca tinha aparecido no meu radar. Resumindo: não tem ninguém te vendo e não tem ninguém nem aí pra você. Poucos spots estão apontando pra você. Nenhum deles te percebe. E isso pode ser bom.
Talvez hoje. Talvez agora. Talvez nunca. Mas, vá. Dê seu show escorrendo na parede do banheiro ouvindo Lana del Rey ou assistindo “Ghost “. Mas volte. Em pé, mais forte. Sem vitimismo. E direcione essa energia em torno de você, pra você.
Vou te contar uma história. Os melhores períodos da minha vida sempre vieram depois de ficar absolutamente decepcionado com a falta de progresso que eu estava fazendo.
Agora, percebo que era falta de amplitude, perspectiva.
Nossos sentidos padecem da doce lentidão quando comparados ao som e luz.
Percebemos pouco. Podemos armazenar muito. Sistematizar complexos procedimentos em milésimos de segundo. Nunca estivemos tão potentes como espécie. Obrigatória e compulsoriamente conectados como espécie.
Tão ausentes. Tão a sós. Tão frágeis como pessoas.
Um dos caras que tem me inspirado a escrever é o Dan Koe. Ele diz que começou a entender a diferença entre "alívio" e "cura".
E provoca: o alívio é bom; vem na forma de prazeres baratos, entretenimento sem sentido e prescrições médicas das mais variadas e sofisticadas.
Mas a cura é dolorosa. Ah sim, como dói.
Vem na forma de ficar doente de estar doente, a ponto de você acreditar piamente que depois de TUDO que passou, nada de bom sobrou, só cicatrizes.
É aí que raiva entra.
A construção identitária restringe a perspectiva.
Por um lado, absolutamente genial, fornece um limiar para que seus pensamentos não caiam em território desconhecido e ameacem toda sua existência. Qualquer situação tem informações demais para que a mente consciente de qualquer ser humano seja capaz de processar.
A identidade, ou personagem social, que você cultivou com o tempo vai limitar as informações que você processa, apenas disponíveis para a perspectiva que você tem acesso.
Sim, genial, e por outro lado, medíocre, plana.
Existem 8 BILHÕES de seres humanos neste momento vivendo, morrendo, respirando, consumindo, amando, sofrendo. Lendo. Escrevendo.
Ninguém tá nem aí pra ninguém. É meio que confortável procurar acessar essa perspectiva em espectros mais amplos.
A maioria das pessoas bem-sucedidas que eu conheço começou com raiva de uma situação desconfortável e geralmente persistente em sua vida. Odiavam ir para o trabalho. Odiavam cumprir ordens. Reclamavam pouco. Mudavam sempre. Mas odiavam tudo.
Isso faz mal pra gente. E só tem uma forma de se curar: fazer diferente, errar de novo e fazer diferente um pouco melhor de novo. E errar. E fazer melhor. E aperfeiçoar. E compartilhar. E deixar pra trás. E começar tudo de novo.
Isso é lindo ou desesperador? Não sei, prefiro romantizar.
Voltando ao ponto, e falando em ponto, quando você atinge o seu ponto mais baixo na vida, aquele que você pensa “p*rra, em que m*rda foi esta que eu me coloquei?”.
É esse o lugar. É o ponto mais baixo da sua vida que te conecta com o combustível pessoal poderoso e limítrofe: a raiva!
Esse ponto baixo é uma conexão muito rápida com o tal “se dar bem na vida”. Quando chegar a hora para você, não desperdice essa força, essa ferramenta adquirida depois de doer tanto. Porque dói.
Quando você, imagino que assim como eu, detém estapafúrdia habilidade de ultrapassar os limites do fundo do poço, é bem frequente a necessidade de uma solução imediata e factível pra te tirar dessa roubada.
É aí. Este é seu super poder.
É daí que nasce um projeto, que se constrói uma visão. Que nasce uma marca. Que surge um problema.
A solução é o exato oposto do ponto baixo em que você acha que se encontra. Vetores espelhados. Pode chamar de consciência da negatividade, do que quiser, mas pensa nisso.
Criatividade é o fisiculturismo mental. A criação é o sexo espiritual.
Você tem o que precisa. Vai levar tempo. Anos pra perceber. Perspectica se absorve com o tempo, com vivência. Pode ser que você não comece agora e tudo bem. Este vídeo / texto pode nem fazer sentido para você no seu nível atual de consciência. Mas tente entender de forma geral. Não se prenda a detalhes.
As pessoas têm medo da mudança. Por isso, nos agarramos à ilusão de segurança que é apresentada pelo mundo externo. Aos conselhos recebidos. Ao vício pela dopamina barata. À pornografia além do sexo. Às promessas de uma vida melhor. Às abordagens persuasivas do marketing “emocional”.
Agora, jogo a carta da cura e já digo a resposta: dói.
Imagine uma linha colorida em um gradiente preto e branco com tons de cinza no meio. Agora, conecte as extremidades desta linha para que o preto e branco se toquem.
Essa maleabilidade se chama experiência. A conexão, resposta. O processo, cura.
Podemos ver esse padrão de realidade em nosso dia a dia.
Uma pessoa tão estúpida que se torna perspicaz.
Uma roupa tão sem estilo que se torna elegante.
Uma piada tão sem graça que se torna engraçada.
Ou uma pessoa tão cansada de si mesma que se torna uma pessoa completamente nova.
Ainda comigo? (Espero que sim)
O personagem cria a ação. A Identidade restringe perspectiva. Perspectiva influencia a percepção. A percepção é a distância entre hoje e onde vc quer chegar.Papo de coach, né? Entenda como preferir.
A identidade que você constrói ao longo do tempo limita as informações que você percebe e restringe a perspectiva que você tem do mundo ao seu redor.
A percepção influencia como você se move no mundo. Pessoas que seguem fortemente uma ideologia religiosa, política, nutricional ou empresarial geralmente agem em conformidade com os objetivos atribuídos a eles por essas construções intelectuais.
Já quem procura abrir a mente para a consciência e o entendimento pode tomar decisões que são propícias ao futuro desejado, visualizado.
A ação é direcionada a um objetivo. Sempre.
Sua identidade tem objetivos embutidos. A questão é se esses objetivos são autogerados ou atribuídos a você por fatores externos.
Um ideólogo político que adotou as crenças de seus pais sem questioná-las agirá em direção a objetivos entalhados à vontade alheia.
Já uma artista, apaixonada e autodidata, gerará seus próprios objetivos e permitirá que suas experiências , estilo de vida e referências se alinhem com esse objetivo – caso contrário, experimentará o sofrimento, que não é ruim, mas uma bússola útil para uma vida melhor.
Se você quer mudar quem você é, desafie suas crenças.
Permita que suas ações sigam a tendência com o tempo (não em um dia, semana ou mesmo mês, mas em uma vida).
E, ao fazer isso, você cria uma vida com menos dor involuntária.
A maioria das pessoas não percebe que a vida é história.
A história é simbólica em padrões universais.
Você pode observar esses padrões na arquitetura, música, criação, escrita, sistemas, tecnologia, meio ambiente, economia e em sua vida.
É assim que fazemos sentido do mundo. A mente interpreta o mundo por meio de conceitos, histórias, metáforas e símbolos.
Para entender uma coisa, devemos ter uma compreensão subconsciente de tudo com o que ela está conectada. E isso é quase sempre impossível.
Seguindo a linha de raciocínio do filme “The Matrix”: uma xícara não faria sentido sem uma mão. A gravidade não faria sentido sem força ou massa. Sua vida não faria sentido sem a percepção do quanto “se dar bem” é ser, viver, sentir, ler, compartilhar.
As histórias dão sentido à vida. Sua identidade é a história que você se conta. Você viverá essa história no piloto automático se não a tornar consciente. Doendo ou não.
O que está se desdobrando diante de você no livro que é a sua vida? Agora eu fui quase um pastor.
Às vezes é preciso polarizar para aprofundar nossa compreensão do significado das coisas. Oito ou oitenta. Contraste. Luz e sombra.
Tal coisa não pode existir sem a outra.
A felicidade não pode existir sem um ponto de referência infeliz. Nem uma xícara sem uma mão. Ou a vida sem sofrimento.
Se não houvesse pontos baixos em sua vida, ela perderia todo o sentido. Ela se tornaria horizontal. Insípida. Linear. Sem vida. Mecânica. Robótica. Sem mente. Medíocre.
A vida é uma dança entre a ordem e o caos.
Empurrão, puxão. Situação, oposição.
A única coisa que te difere e ressalta dessa transparência social sem sabor é sua identidade.
Você não pode alcançar novas camadas, perspectivas ou níveis de consciência se nunca aceitar a batalha, perder o chão e se lançar em uma nova direção.
A transmutação emocional é o ato de transformar seu estado emocional em algo mais relevante que o “ontem”.
Como usar algo tão potente quanto a raiva para se impulsionar em direção a algo bom?
É claro que isso pode se tornar perigoso rapidamente.
A transmutação emocional não é se tornar dependente dessa emoção e não deixá-la ditar suas ações.
Queremos captar, sentir e direcionar nossas emoções negativas com honestidade e maestria.
Queremos usar, não que nos usem. E no meio do caminho, tudo passa, o tempo passa e o que fica é a escrita., chega provocações, por enquanto. E como prometi, quem chegou até aqui recebe um mimo em troca.
😎 Grato pelo espaço e tempo investido nessa carta e como prometido, aí vão os mimos de hoje. Duas versões de uma ferramenta viva de visualização ampla de objetivos, habilidades, métodos e clareza.
Self-Discovery Worksheet (PDF) - esta tá bem legal para ser impressa e funcionar com um Macro Planner visual em casa, escritório ou pregado com imã na geladeira.
Self-Discovery Worksheet (Canva Template) - copie, edite e use como quiser. Este é um documento vivo e deve ser personalizado para as suas necessidades.
Quer saber mais sobre como aprofundar nesses assuntos: acesse 2k37 Academy e adquirida um de nossos produtos educacionais e operacionais.
Por hoje é só, te vejo na próxima carta :)
Lucas M. Prado
June, 6th, ‘23 - 10:31am


