Vocês já pararam para sentir a brisa do nosso mar? Aquela leveza que envolve e engana, trazendo uma doce ilusão que por vezes ofusca o verdadeiro grito da nossa história. Um grito marcado por um passado brutal de colonização, de sangue e suor de corpos retirados de suas terras natais e forçados a erguer uma nação que nunca foi verdadeiramente deles.
Aqui estamos, no século XXI, um momento em que queríamos acreditar que as marcas da colonização estariam curadas. Mas as sombras desse passado ainda pairam sobre nós, sufocando os clamores daqueles que lutam diariamente por sua existência.
💡 “Colonialismo não é um fenômeno do passado. Ele persiste, molda nossa sociedade e nosso olhar para o mundo.”
Nossa terra tropical, com seus ritmos e melodias, seus sabores e cores, foi, desde sempre, um palco de resistência. Desde Palmares até Stonewall, de Dandara a Marielle Franco, corpos dissidentes se ergueram e resistiram, desafiando estruturas de poder e exigindo o reconhecimento de sua humanidade. Esses são os corpos de negros, indígenas, LGBTQIA+, pessoas vivendo com HIV, mulheres, pobres, periféricos - aqueles que dia após dia enfrentam um país ainda marcado por uma mentalidade colonial.
O pensamento colonial nos ensinou a ver esses corpos como inferiores, como ameaças à ordem estabelecida. Mas esses corpos resistem. Eles enfrentam a violência, a discriminação, a exclusão e exigem reconhecimento, respeito, igualdade.
Na música, nas artes, na literatura, na dança, nas ruas, na política - em todos os lugares, eles desafiam a ordem colonial. Eles se manifestam contra a opressão e demandam justiça.
💡 “A revanche dos corpos dissidentes não é uma batalha a ser ganha, mas uma luta a ser vivida.”
Não se trata de conquistar território ou poder. A revanche dos corpos dissidentes é uma batalha travada diariamente, na consciência, na palavra, na arte, na simples existência.
É uma luta que exige paciência, resistência, solidariedade e coragem. É uma luta vivida no cotidiano, nas ações grandes e pequenas, nos gestos de resistência e de afirmação da própria identidade.
Nessa luta, o corpo dissidente não busca aniquilar o outro, mas sim reivindicar seu próprio espaço, sua própria voz, sua própria existência. A revanche é a afirmação de sua própria humanidade contra um sistema que insiste em negá-la.
💡 “Descolonizar o pensamento é descolonizar o corpo. E descolonizar o corpo é descolonizar a sociedade.”
Nesse processo, a revanche se torna uma forma de reescrever a história, de reconfigurar as relações de poder, de descolonizar o pensamento e de desafiar a ordem estabelecida.
E é essa a luta que cada um de nós deve travar, todos os dias. A luta por um mundo em que todos os corpos sejam respeitados, valorizados e livres. Pois, como diz a sabedoria popular, “liberdade não é um presente dado, é um direito conquistado”.
Deixo a reflexão: a luta por liberdade, respeito e dignidade não termina quando alcançamos um pouco de visibilidade ou aceitação. Ela é contínua, constante, necessária. E a música e a arte do nosso Brasil, da nossa terra tropical, são provas vivas dessa resistência. São provas da revanche dos corpos dissidentes.
Então, viva a música, viva a cultura, viva os corpos dissidentes da nossa terra tropical! E nunca esqueça, a revanche é nossa.
Lucas M. Prado / Julho, 24th, ‘23 - 02:57am”

